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quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Só por hoje

Só por hoje, vou tentar viver através das próximas 24 horas... Não com a expectativa de superar a morte da minha filha, coisa que faço desde o dia 18 de Outubro de 2006, mas aprender a viver com isso... um dia de cada vez!

Só por hoje, vou lembrar a sua vida dentro de mim, não a sua morte, e relaxar no conforto dos dias preciosos que tive com ela.

Só por hoje, vou perdoar toda a família e amigos que não me ajudaram, ou me confortaram, da maneira que eu precisava… certamente, eles não sabiam como.

Só por hoje, vou-me livrar deste fardo autoinfligido de culpa porque, no fundo do meu coração, sei que se houvesse alguma coisa neste mundo que eu pudesse ter feito para salvar a minha filha da morte, eu tê-lo-ia feito!

Só por hoje, sem me importar o quanto estou ferida por dentro, vou sorrir para que o meu coração amoleça e eu comece a curar-me. Talvez…

Só por hoje, vou-me permitir ser feliz e me divertir, porque sei que, ao [tentar] seguir em frente não estarei a abandonar a minha Matilde.

Só por hoje, vou aceitar que NÃO morri com a minha filha… A vida continua e eu sou a única pessoa que pode fazer com que ela valha, novamente, a pena.

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Descontração

Chegou o fatídico dia de tirar sangue ao Xavier e eu, mãe e gaja que muito sofreu com este pequeno procedimento, porque não tenho veias e até nos pés já tiverem que me picar [[é do pior…] estava mais apavorada do que ele.

Uma amiga enfermeira deu-me a dica dos pensos EMLA, que também existe em creme mas não se torna tão prático, e que atuam como um anestésico local.

Na noite anterior falei com ele, exemplificando o que lhe iam fazer com a promessa de que, se mantivesse quieto, não iria doer.

Depois disse-lhe para era a sua vez de experimentar em mim e, com a ajuda do seu kit de médico, fez o que lhe ensinei no meu braço e não se falou mais no assunto.

De manhã, coloquei os pensos e rumámos para o destino, onde ele se manteve sempre sossegado até chamarem o seu nome.

Entrámos e depois de tudo preparado, já com ele sentado ao meu colo, eu suava e ele mantinha-se na boa, mesmo quando viu a agulha grossa [onde eu pensei que ele iria descambar] a desaparecer no seu braço até terem enchido 3 tubos de sangue.

O Papá J. ainda tentou que ele não olhasse para o que lhe estavam a fazer mas, curioso como é, esteve sempre de olhos postos no que a enfermeira fazia.

Esta desenhou um carro no adesivo que iria servir de penso, colocou-o, despediram-se e lá saiu ele como se nada tivesse passado.

O certo é que em situações normais, o Xavier até se torna bastante piegas mas no que toca a situações que envolva médicas e enfermeiras não se passa nada… deve ser um fetiche (;

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Socorro…

Esta madrugada deve ter desaparecido algum tanque do exército português ou carro de combate, como dizem em linguagem militar.

Isto porque fui “ATROPELADA” por um, até às 5 horas da manhã!

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Ser Mãe

Ainda que não existam mães perfeitas, há aquelas que não são, sequer, dignas de serem intituladas como tal e, ultimamente, vêem-se coisas tão macabras que, simplesmente, não são deste mundo!

Ontem foi “o” Dia da Mãe que, se não fosse o lindo suporte de velas que o meu Xavi fez na escola e me ofereceu, quase tinha passado despercebido afinal, e como diz a minha amiga S., o NOSSO dia são todos os dias do ano (:

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No entanto, mais um ano passou em que voltei a deixar algo muito importante [para mim] por fazer e, por muito que ande adiar, preciso fazê-lo!

Não posso continuar a “preferir” passar a tarde enroscada no sofá culpando a falta de coragem…

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Bis...

Na madrugada de segunda-feira, o Xavier teve mais uma crise de tosse estridulosa e sem que houvesse forma de ele melhorar em casa, recorrendo ao ar frio e à nebulização, ao vê-lo ficar roxo, pela falta de ar e por imaginar como seria se aquele episódio horrendo tivesse acontecido em uma das noites em que o Papá J. estivesse au-sen-te, levou-me a uma crise de PÂNICO que não ajudou a situação em nada!

Sei, perfeitamente, que a nossa serenidade é crucial, para que o Xavier fique menos ansioso, mas nem sempre é fácil manter em calma, nem mesmo quando se tem uma experiência basta com crises destas.

Voámos até ao hospital e, ao contrário das outras vezes em que ele melhorava logo com a nebulização, desta vez foi mais difícil estabilizar-lhe a respiração inclusive, tivemos que vir para a rua, às 4 da madrugada, “ver as estrelas”…

A médica estava preocupada e, obviamente, não queria dar-lhe alta até que os seus sinais vitais estabilizassem o que, apesar da demora, acabou por acontecer mais tarde.

Como ontem já apresentava melhoras, hoje voltou à escola que as saudades já eram mais do que muitas.

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Cabaz de medicamentos

Querem ler algo novo…? Se a vossa resposta for afirmativa fechem já esta página porque, por muito que gostasse de falar em outro assunto, vou voltar a falar de doenças!

Tenho o Xavier com outra laringite estridulosa diagnosticada, ontem à noite, pela sua pediatra.

Na semana passada, depois de uns dias com algumas melhoras, repentinamente, a maldita tosse voltou a piorar no domingo à tarde e, desde então, foram raros os períodos de tempo em que o Xavier esteve sem tossir.

Ontem, após ter ido buscá-lo à creche e ouvir da boca de uma auxiliar o relato da sinfonia desgastante que tinha sido o seu dia, liguei logo à nossa pediatra que se prontificou a vê-lo de imediato.

Chegados lá, comigo a GRITAR por dentro, mal entrámos no consultório a expressão da Dra. M disse tudo, até porque já o estava a ouvir na sala de espera e disse-nos logo que ele não podia andar assim nem mais um dia!

Depois de auscultado, visto e revisto viemos para casa com carradas de medicamentos [Celestone, Codipront em S.O.S., Ventilan, Budesonida, Kestine e o Singulair para 3 meses], e quem nos segue tem conhecimento que ela só medicamenta em última instância o que, naquele preciso momento, despoletou em mim uma dor de coração enorme por ter a real noção sobre o estado do meu filho, um estado sobre-humano para qualquer criança conseguir suportar, por tanto tempo.

Segundo a pediatra, teve mesmo que recorrer a toda esta medicação para posteriormente ver o que se pode ir retirando até porque o estado em que ele fica, devido a tanto tossir, é bem pior do que os efeitos secundários da medicação.

No entanto questionei-a sobre o efeito da vacina da gripe e do Ribomunyl, que achava pouco terem adiantado, ao que ela explicou que esses foram para combater as doenças infeciosas bem distintas do que tem atacado o Xavier, que têm sido doenças de origem vírica.

Posto isto, com o desgaste que sinto e prestes a roçar a insanidade mental, já estou por [quase] tudo, até por doses XL de medicação!

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[FOTO RETIRADA]

Sabiam que se pode ficar com pintas vermelhas na pele, tipo borbulhinhas, devido ao esforço que se faz ao tossir...?

Pois eu, que me achava "doutorada" em tosse, não fazia ideia e associei as que o Xavier tem no rosto ao Singulair mas, segundo a pediatra, nada tem a ver… estas eram mesmo da tosse excessiva e são chamadas petéquias de esforço.

As coisas que eu aprendo [e bem dispensava!] à conta da maternidade.

terça-feira, 18 de outubro de 2011


As palavras de despedida não foram ditas, não houve tempo para dizer adeus... tinhas partido antes que eu percebesse, e só Deus sabe porquê...

Filha... como eu GOSTARIA de "caminhar" até o Céu para trazer-te para casa!

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O relógio marcava 23:36 horas quando a nossa Matilde nasceu, já sem vida, no dia 18 de outubro do ano de 2006.